Política

Opinião: por que a pré-candidatura de Lucélio Cartaxo causa tanto desconforto ao governo?

11 de julho de 2018

Em meio a um oceano de especulações que toma conta das discussões políticas na Paraíba, inclusive com direito a muita ‘fake news’, termo contemporâneo utilizado para substituir a popular mentira, tem chamado muito a atenção dos observadores da cena eleitoral paraibana  a tentativa, pelo menos até aqui malfadada, de ‘desestimular’ a pré-candidatura de Lucélio Cartaxo ao Palácio da Redenção. O mais inusitado é que os encarregados de tal ‘ofício’ são ardorosos defensores dos feitos político-administrativos do governador Ricardo Coutinho (PSB) e ‘incentivadores’ da pré-candidatura do senador José Maranhão (MDB).

Leitor antigo dos escritos do mestre Rubens Nóbrega e entusiasta do trabalho do Tá na Área, de quem virou apreciador contumaz, Otomar Legório confidenciou-me acreditar ser muita coincidência para um ambiente político tão sui genesis como nosso, e ponderou a seguinte reflexão:

– Veja se não os mesmos porta  vozes oficiais e oficiosos com acesso cativo e muitas vezes direto àquela granja famosa da Avenida Beira Rio.

A incisiva afirmação de Legório remonta a uma pergunta: por que será que a pré-candidatura de Lucélio Cartaxo causa tanto desconforto ao governo, a ponto de mobilizar tamanha ‘engenharia’?

A verdade é que desde o lançamento, a pré-candidatura de Lucélio Cartaxo vem ganhando corpo e tomando forma de várias maneiras, tanto pelos sucessivos apoios políticos (já conta com sete partidos em torno do seu nome) como pelo apetite renovado em cada município ou localidade visitada. Não fosse isso o bastante, o ingresso da médica Micheline Rodrigues (PSDB), primeira dama de Campina Grande, como candidata a vice, era a peça que faltava para selar a união dos dois maiores colégios eleitorais da Paraíba, daí todo o ‘malabarismo’ de porta vozes oficiais e oficiosos em tentar botar gosto ruim nas pretensões da pré-candidatura do PV.

Por outro lado, o governo, que ainda patina tentando ‘empinar’ a  sua pré-candidatura, enxerga num eventual W.O. a oportunidade de ouro para fazer de João Azevedo (PSB) o sucessor de Ricardo Coutinho no Palácio da Redenção, ou, no pior das hipóteses, tendo como adversário alguém que tenta voltar pela quarta vez ao cargo que já ocupou em outras épocas e que sempre fez ‘carreira’ na política, estando nela há mais de meio século e em outros diferentes postos.

É por isso que todo o contorcionismo tem sido justificado nos últimos dias, com movimentos cada vez mais sobressalentes aos olhos de quem quer não apenas enxergar, mas entender que na política nada é por acaso, mas milimetricamente pensado, planejado e calculado.

Assim como na física, também em política, toda ação tem uma consequência. Se de um lado a estratégia é válida, pelo menos para os fins propostos pelo governo e seus apoiadores, com o passar do tempo, pode começar a ter o efeito contrário, sobretudo aos olhos dos eleitores, que podem interpretá-la como a única verdadeiramente de oposição, o que poderá fazer de Lucélio Cartaxo um adversário ainda mais difícil de ser enfrentado.