Opinião

Opinião: Ricardo tenta antecipar debate eleitoral pela Prefeitura e esquece que o tempo é seu maior inimigo

17 de dezembro de 2018

O jornalista Ivandro Oliveira, em artigo para o Tá na Área, comenta o desconforto do governador Ricardo Coutinho (PSB) com a contagem regressiva para sua saída do governo estadual e a estratégia do socialista em tentar antecipar o debate eleitoral pela disputa da Prefeitura da Capital. Contudo, Coutinho, na avaliação de Ivandro, esquece que o tempo um adversário cruel do próprio Ricardo, porque, daqui a 15 dias, o comando da direção do ‘coletivo’ que sempre dirigiu com punhos de ferro estará em outras mãos, as de seu ex-auxiliar João Azevedo, que terá, caso queira, autonomia necessária para dizer ao antecessor que  quem podia menos agora pode mais. “Ricardo regressa ao anonimato de servidor técnico-administrativo da Universidade Federal da Paraíba, cargo em que encontra-se afastado desde os idos da década de 1990”, registra.

Confira, na íntegra, o artigo completo:

Ricardo, anonimato e o tempo

Por Ivandro Oliveira

O governador Ricardo Coutinho (PSB) parece ter caído na real de que ficará sem cargo depois de mais de 20 anos  e não esconde mais de ninguém que quer antecipar o debate pela Prefeitura de João Pessoa, o que pode ser considerado uma imensa falta de respeito ao cidadão que não está nem aí para o assunto, já que a disputa só ocorre em 2020, isto é, daqui a 2 anos, e uma uma afronta aos prazos e a própria justiça eleitoral.

Sem os holofotes graciosos da mídia que administrou nos últimos 8 anos e diante do iminente período de ostracismo imposto pela ausência de um cargo que chame de seu, Coutinho resolveu partir para o ataque por meio da surrada estratégia de tentar desconstruir a imagem da gestão de Luciano Cartaxo (PV), que acaba de entregar, por exemplo, um novo São José, bairro bastante esquecido pelo atual governador na época em que foi prefeito de João Pessoa.

O Tá na Área registrou a sintomática reação de Ricardo Coutinho em um dos sites da Capital. O governador, que deixa a Granja Santana e a desocupa a cadeira principal do Palácio da Redenção em exatos 15 dias, em tom colérico, disse que faltava a Cartaxo um ‘projeto, uma ideia’ e retrucou: ‘pra mim política tem que ter turbulência, tem que ter ruptura’.

A declaração de Coutinho soa estranho pelo momento nada oportuno para antecipar um debate totalmente estranho a maioria esmagadora da população pessoense, que está preocupada com outros temas, como segurança, saúde educação e emprego, áreas que o próprio Ricardo encerra a gestão sem resolver a contento. Pelo contrário, na saúde, além dos dilemas históricos, agora enfrenta uma questão maior e a envolver denúncias graves de corrupção levantados pelo Ministério Público no âmbito da operação ‘Calvário’, que investiga a tenebrosa relação da Cruz Vermelha e outras OS (Organizações Sociais) com o Governo do Estado; na segurança, chama atenção a sensação de impotência da população diante de tantos problemas, isso sem falar na educação e os alarmantes índices de evasão escolar e de desempenho aquém do esperado.

E não é só isso. A irada declaração de Coutinho transparece um certo desconforto com a situação vivida pelo próprio, que precisa manter-se vivo na lembrança das pessoas durante o estágio sabático, enquanto que Luciano Cartaxo, a quem pretende descaracterizar, surfa com um estilo diferente de administrar, mais próximo das pessoas, distante das ‘turbulências’ tão celebradas pelo futuro ex-governador e montado numa gestão até aqui bem avaliada e com um plano para investir $ 100 milhões (cem milhões de dólares) em obras, ações e serviços que podem torná-lo ainda maior e, de quebra, fazer o sucessor.

A verdade é que os próximos dias serão muito delicados para Ricardo Coutinho. Daqui a 15 dias, o comando da direção do ‘coletivo’ que sempre dirigiu com punhos de ferro estará em outras mãos, as de seu ex-auxiliar João Azevedo, que terá, caso queira, autonomia necessária para dizer ao antecessor que  quem podia menos agora pode mais. Bom, mas isso só poderá ser conferido a partir de 1º de janeiro, quando João assume as chaves da Granja e do Palácio, e Ricardo, para não regressar ao anonimato de servidor técnico-administrativo da Universidade Federal da Paraíba, cargo em que encontra-se afastado desde os idos da década de 1990, assume a desconhecida Fundação João Mangabeira, do seu partido.